Opinião: Abuso sexual na Igreja, é hora de Tolerância zero!

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Bem-aventurados vós, que agora chorais (cf. Lc 17, 21)

Macapá (AP) | Blog | Por Jefferson Souza | Atualizado em 21.02.2019 – as 13h48

Iniciou nesta quinta-feira, 21, no Vaticano o encontro do Santo Padre, papa Francisco, com os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo católico para tratar sobre o problema de abusos sexuais na Igreja. O cronograma oficial do evento inédito na História bimilenar da Igreja apresenta a situação:  a responsabilidade pastoral e jurídica dos Bispos e Superiores Gerais em casos de abuso sexual, a necessidade de transparência e as medidas necessárias para prevenir tais os crimes (e pecados) nos ambientes eclesiais.

De fato, como disse Francisco na abertura do evento, “santo Povo de Deus olha para nós e espera de nós, não meras e óbvias condenações, mas medidas concretas e eficazes a implementar”. A Igreja como nunca necessita passar a limpo os problemas internos e, sobretudo, responder à medida. Nesta hora vale lembrar as palavras de Jesus no Evangelho do 6º domingo do tempo comum desta semana: “Bem-aventurados vós, que agora chorais” (Lucas 17, 21) porque chora a Igreja, esposa de Cristo maculada com os abusos.

Choram os fiéis que, num mundo cada vez mais incrédulo, vê a Igreja manchada com o peso do pecado (e crimes) de pessoas que deveriam ser-lhe exemplo de dignidade, pureza e castidade. Choram, sobretudo, às vítimas sobre o peso do passado que lhes assombra muitas vezes, a dor sentida na alma e por vezes até no corpo, choram elas pelas injustiças sofridas, perseguições dos que não acreditaram em suas denúncias, choram a perda da fé na Igreja e em seus responsáveis.

Mas, nestes dias, vemos algo novo, os ventos soprarem em direção contrária ao estático estado de conformismo. Os que agora choram a dor e a vergonha da exposição deste mal presente na Igreja são portadores desta promessa de Jesus. Agora choram, mas haverão de ri, serem consolados pelas respostas que este encontro e que os verdadeiros homens (e também mulheres), clérigos ou não, darão.

É, sem dúvida, hora de tolerância zero ao abuso sexual na Igreja. Não há espaço dentro dela para a vivência desmedida desta imoralidade e crime. Com o justo direito de defesa, sempre, mas com imediata ações combater este mal aos comprovadamente culpados. A Igreja tem que ser um lugar seguro para as pessoas. Os ambientes eclesiais devem ser lugar de comunhão entre irmãos que querem uma vida em Cristo.

As Conferências Episcopais, as Congregações Religiosas e qualquer outro organismo eclesial deve romper com o silêncio, humilhar-se diante de Deus (e até dos homens) e cercearem as ações e atitudes de abusadores nos ambientes internos. Nenhum posto, nenhum título pode ser impedimento para se encarar de frente e dignamente romper com este crime.

É hora de deixar as feridas expostas serem curadas com a medida certa de medicamento. É hora de consolar os que choram com o consolo da justiça e a garantia de que a Igreja está comprometida em combater as fraquezas e crimes de seus membros.

É louvável a disposição do Papa Francisco de encarar o fato de frente! Discutir e querer uma solução não mais para casos isolados, mas para toda a Igreja. Espero que o encontro dos bispos lhes dê a coragem necessária. Os fiéis juntam-se em oração!

Jefferson Souza

Jefferson Souza