Cantalamessa: ninguém jamais viu a Deus senão através do seu Filho divino

Toda a teologia cristã das religiões deve partir do fato de que Cristo deu a sua vida “em resgate” e por amor aos homens, porque todos são criaturas do seu Pai e seus irmãos. Logo, a sua oferta de salvação é universal; Deus demonstra sua humilde ao criar e salvar o homem, disse o frei capuchinho em sua pregação ao Papa e à Cúria.

Cidade do Vaticano | Vaticannws | Atualizado em 21.12.2018 – Às 11h27

O Pregador oficial da Casa Pontifícia, Padre Raniero Cantalamessa, fez na manhã desta sexta-feira, na Capela Redemptoris Mater no Vaticano, sua terceira e última meditação de Advento, na presença do Papa Francisco, dos membros da Cúria Romana, do Vicariato de Roma, os Superiores Gerais e os Procuradores das Ordens religiosas. Leia o texto integral aqui.

Partindo do tema central das suas pregações “Minha alma tem sede do Deus vivo”, extraído do Salmo 42, o frei capuchinho continuou a refletir sobre o assunto da última meditação, ou seja, “O Deus vivo é a Trindade viva” e explicou: “Nós estamos no tempo e Deus está na eternidade”. Então, perguntou: “Como superar esta infinita diferença qualitativa? Como construir uma ponte sobre um abismo tão infinito?”

Respondendo a estas questões Frei Cantalamessa disse que a única solução consiste na celebração da solenidade da Natividade, para a qual estamos nos preparando: “O Verbo se fez carne e veio habitar entre nós”.

Citando o grande teólogo bizantino, Nícolas Cabasilas – o Pregador disse que “entre nós e Deus há três muros de separação: a natureza, o pecado e a morte”. O primeiro foi abatido com a encarnação, quando a natureza humana se uniu à natureza divina na pessoa de Cristo; o muro do “pecado” foi derrubado com a cruz e o muro da “morte” com a ressurreição . Assim, Jesus Cristo se torna ponto de encontro entre o Deus vivo e o homem vivo. Nele, o Deus distante se tornou próximo, o Emanuel, Deus-conosco.

O Deus vivo não nos fala mais através de um intermediário ou profeta, mas pessoalmente, por meio do Filho. Agora, a grande notícia é que o Deus vivo desce em busca do homem para habitar em seu coração.

O Deus vivo, explicou o Pregador da Casa Pontifícia, se manifesta através de muitas expressões evangélicas: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim!” “Ninguém jamais viu a Deus; seu Filho único no-lo revelou”. “Eu e o Pai somos um”. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Toda a teologia cristã das religiões deve partir do fato de que Cristo deu a sua vida “em resgate” e por amor aos homens, porque todos são criaturas do seu Pai e seus irmãos. Logo, a sua oferta de salvação é universal; Deus demonstra sua humilde ao criar e salvar o homem.

Na pessoa do Espírito Santo, Jesus continua a revelar-nos o Pai, por ser o Espírito do Ressuscitado, o Espírito que continua e aplica a obra de Jesus na terra.

Enfim, a meditação sobre o papel de Cristo, revelador único do Deus vivo, pode-se concluir, dignamente, com um hino de louvor, que se eleva do nosso coração para a glória da Santíssima Trindade.

Com estas palavras, na conclusão das suas pregações de Advento, o Padre Raniero Cantalamessa desejou um “Feliz e Santo Natal” ao Papa e aos Veneráveis Padres, irmãos e irmãs!

Jefferson Souza

Jefferson Souza