Crise Ortodoxa: Igreja Ortodoxa Russa ameaça romper comunhão com Patriarcado de Constantinopla

Sínodo Extraordinário emitiu comunicado após nomeações de Constantinopla para a Ucrânia

MACAPÁ (AP) | Blog – com Agências | Atualizado em 14/09/2018 – 15h40

A Igreja Ortodoxa Russa, através do Sínodo Extraordinário convocado nos últimos dias, emitiu nesta sexta-feira, 14, declaração contra “a invasão ilegal do Patriarcado de Constantinopla no território canônico” da Igreja russa. Segundo a declaração oficial do Sínodo Russo, “com profundo pesar e tristeza”, a Igreja Ortodoxa Russa posiciona-se contrária as decisões de Patriarcado Ecumênico do último dia 7 de setembro.

A nova crise no diálogo entre o Patriarcado de Moscou e o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla foi motivada após a nomeou dois exarcas para a Ucrânia como passo decisivo na concessão da autonomia (autocefalia) à Igreja Ortodoxa Ucraniana. O arcebispo Daniel de Pamphilon (EUA) e o bispo Ilarion de Edmonton (Canadá) foram designados para exercer suas funções na Ucrânia.

“Esta decisão foi tomada sem o consentimento do Primaz da Igreja Ortodoxa Russa e Metropolitana de Kiev e de toda a Ucrânia Onuphrii – o único chefe canônico da Igreja Ortodoxa na Ucrânia”, diz a declaração russa. Para os russos, ” É uma violação grosseira da lei da igreja, a intromissão de uma Igreja Local no território de outra”.

Na Ucrânia, a Igreja Ortodoxa mantinha o vínculo canônico com o Patriarcado de Moscou. As disputas políticas dos últimos anos dividiram também a Igreja local originando um lado ligado à igreja de Moscou e outro que reivindicava a autonomia (autocefalia, na linguagem canônica ortodoxa), porém fiel à ortodoxia. O cisma local entre os ucranianos e a tomada de partido dos Patriarcados de Constantinopla e de Moscou em cada um dos lados agora deixa mais sensível as relações políticas e canônicas entre as Igrejas.

Notadamente insatisfeitos, os ortodoxos russos alegam na declaração oficial que “ao século XX, nenhuma Igreja Ortodoxa local, incluindo Constantinopla, não contestou a jurisdição da Igreja Russa do Kiev Metropolitana” e acusam o Patriarca Bartolomeu de agir unilateralmente nestas questões, segundo eles, ” estranhos à vista eclesiológica da Ortodoxia”.

A nota continua criticando duramente ao Patriarcado de Constantinopla afirmando que “Na tentativa de afirmar seu poder inexistente e inexistente na Igreja Ortodoxa, o Patriarcado de Constantinopla está atualmente interferindo na vida da igreja na Ucrânia”, como as nomeações do último dia 7.

Como medida a Igreja Ortodoxa Russa resolveu “suspender a lembrança de oração do Patriarca de Constantinopla Bartolomeu” durante os ritos da Divina Liturgia, gesto este que é sinal de unidade e comunhão entre as Igrejas. Outra dura medida foi a suspensão da concelebração com os clérigos do Patriarcado de Constantinopla e a suspensão da participação de representantes da Igreja russa na estrutura do Patriarcado Ecumênico.

“Seremos forçados a cortar completamente a comunhão com o Patriarcado de Constantinopla”, afirma o Sínodo russo, caso o Patriarcado Ecumênico realize o reconhecimento da autocefalia da Igreja Ortodoxa Ucraniana.

Até a última atualização desta publicação, o Patriarcado de Constantinopla não havia se pronunciado sobre a decisão da Igreja de Moscou.

Bartolomeu e Cirilo em encontro em Istambul | Foto: AsiaNews

Cronologia

No dia 31 de agosto deste ano o tema da autocefalia ucraniana foi discutido pessoalmente entre os Patriarcas Bartolomeu (de Constantinopla) e Cirilo (de Moscou), em Istambul (Turquia), sede do Patriarcado Ecumênico. O encontro que durou apenas três horas foi descrito como “uma conversa entre os dois irmãos” e, segundo declaração de Cirilo à imprensa, “todos os problemas que estavam na agenda foram discutidos”.

Nos dias 1,2 e 3 de setembro aconteceu o Sínodo dos Hierarcas da Igreja Ortodoxa que pretendia “promover o fortalecimento dos sagrados laços” entre as igrejas. Na ocasião, Bartolomeu se pronunciou afirmando que “O Patriarcado Ecumênico – sendo responsável pela salvaguarda da unidade”, é “também [responsável] pela coordenação das relações inter-ortodoxas e das iniciativas pan-ortodoxas – realiza este ministério sagrado no mundo ortodoxo”.

No Dia 7 de setembro acontece as nomeações dos dois novos exarcas para Ucrânia, levando a Igreja Ortodoxa Russa as decisões desta sexta-feira,17.

 

 

 

 

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