A Bíblia – Tradução Ecumência (TEB)

Não julgue um livro pela capa ou por seus leitores

A palavra Bíblia significa “livrinhos” pois é composta por vários livros escritos por diversas pessoas em um período de muitos anos. Narram as aventuras do povo hebreu, antes repassadas oralmente de geração em geração. Para os que tem medo de encarar a leitura da Bíblia não há conselho melhor que dar um passo de cada vez. Dizem os especialistas que a leitura diária de 3 capítulos (e 5 aos domingos) resulta na a sua leitura completa em 1 ano. É claro que se trata de um cálculo quantitativo, porque na realidade há capítulos enormes (como o Salmo 119) e outros mínimos (Salmo 123).

Aqueles que vencerem o medo descobrirão um tesouro. Tanto, que muito a lêem várias vezes. Estes, os apreciadores da sua leitura, costumam variar na ordem de leitura dos livros ou nas traduções, algumas mais modernas que outras. Uma boa tradução é aquela que apesar de manter-se fiel ao original, usa palavras e expressões inteligíveis a todos os tipos de leitor. A leitura e comparação de traduções é também necessária para desvincular o sentido do texto de algum dogma religioso. Somente observando os versículos sem os óculos da religião pode-se enxergar a beleza das palavras, ensinamentos e histórias contidas nela. Mesmo espíritas, ateus ou agnósticos indicam a Bíblia como uma boa leitura em meio a tantas outras deploráveis que existem atualmente.

Algumas traduções são tão antigas para nós quanto os próprios textos originais da Bíblia (coincidindo a escrita dos últimos livros com a tradução dos primeiros), como a Septuaginta (grega) e a Vulgata (latina). Isso porque a língua original dos escritos era o hebraico, o aramaico e o grego. As traduções modernas se diferenciam adotando abreviaturas em 3 ou 4 letras como referência, como a TEB.

Inicia-se neste post a leitura da TEB – Tradução Ecumênica da Bíblia (1996) produzida em parceria entre as Edições Loyola e Paulinas. Como o próprio nome já diz, esta tradução busca “promover a união entre os que crêem no mesmo Deus de Abraão: católicos, protestantes e judeus“. O difícil é saber se eles desejam unir-se, pois existe divergência até sobre quais livros contidos na Bíblia são aceitos como divinos. A TEB pode ser lida por um ou outro religioso mais interessando na visão do todo, mas a grande maioria continuará usando as traduções feitas por seus integrantes ou as que apóiem melhor as suas crenças. Mesmo assim, o professor Isaías Lobão Pereira Júnior afirma que “A TEB representa uma nova mentalidade da Igreja Romana. Se antes, as Bíblias Protestantes eram acusadas de serem falsas e conterem inúmeros erros, agora o discurso é radicalmente outro. Tenta-se encontrar pontos de contato, pontes são construídas e barreiras são vencidas pelo diálogo“.

Por fim, fica a pergunta no ar: Por que ler a Bíblia hoje? São inúmeros motivos, mas cito somente um: leia para identificar quem a leu, entendeu e a segue. Como são tantos os que dizem que tudo está na Bíblia, nada melhor do que conferir com os próprios olhos. A maioria das pessoas à sua volta, inclusive você, cresceu em um ambiente extremamente influenciado pelo cristianismo e ler a Bíblia talvez ajude você a conhecer um pouco mais sobre o mundo que o rodeia e sobre si mesmo.

Cabe ressaltar que o meu objetivo não é iniciar nenhum debate doutrinário, mas verificar a facilidade de leitura da tradução, a sua imparcialidade e ressaltar passagens que sejam de interesse dos leitores deste blog. É a simples opinião crítica de um leitor, que pede aos que apreciam debater sobre religião a não perderem tempo aqui. Comentários serão bem-vindos desde que educados e pertinentes ao assunto.


Os Prós

1. Introduções – É interessante para quem nunca leu nada a respeito de um livro começar com um comentário que o incentive a continuar. As introduções que aparecem no início de cada livro da TEB procuram mostrar um pouco da história que o livro irá relatar. Pena a linguagem usada ser muito técnica, o que fará com que os leitores leigos passem direto.

2. Ordem – A TEB “traz os livros do Antigo Testamento na ordem tradicional da Bíblia hebraica, a TANAK – abreviatura das três categorias que a compõe: Torá (Lei), Nebiim (Profetas) e Ketubim (Escritos)” enquanto a maioria das Bíblias cristãs adota a ordem da primeira tradução grega feita pelos cristãos, a Septuaginta. É interessante sair do quadrado e perceber que nem todos usam a mesma sequência nos livros. Antes que alguém diga que isso é um contra, porque dificulta aos que já decoraram a ordem usada no Brasil, a TEB traz 2 índices, um alfabético no início e um sequencial no final.


Os Contras

1. Tradução – Logo na apresentação da Bíblia aparece uma decepção. A TEB não é uma tradução dos textos mais próximos aos originais (gregos e latinos), mas de uma tradução francesa (TOB – Traduction Oecuménique de la Bible, 1989). Todos sabem que na tradução perde-se alguns dos sentidos e essências que só existem na língua original. Agora imagine a tradução (brasileira) de uma tradução (francesa) de uma tradução (grega e latina). Não que isso seja ruim, é péssimo! Enquanto a tendência mundial vem sendo a eliminação ao máximo das línguas intermediárias – recentemente tivemos clássicos da literatura mundial traduzidos diretamente do russo (Dostoiévski e Tosltói), do árabe (As Mil e uma Noites) e do japonês (Musashi, etc.) – a TEB fez o caminho inverso. Quem comparar a TEB com qualquer outra tradução verá que o resultado deixa a desejar, principalmente na tradução dos nomes de pessoas e lugares. A impressão é de serem nomes com um sotaque francês.

2. Massificação – Tentar agradar a todos é o mesmo que não agradar a ninguém. Apesar das denominações religiosas defenderem desde diferenças sutis até o extremo oposto em suas crenças, o texto original foi um só. Usar expressões para maquiar e não ofender tira a essência do original. Os tradutores deveriam preferir a fidelidade ao texto original ao invés de agradar leitores.

***

Este post será atualizado conforme as leituras dos livros forem terminando, o que talvez aconteça até o fim do ano. Cada livro terá um post próprio com comentários e passagens. A leitura será da edição de bolso da TEB. Abaixo segue o Índice de leituras dos livros com os respectivos links para os posts:


Índice

1. Gênesis – 50 capítulos. Leitura em 08/07/2008.

19 opiniões sobre “A Bíblia – Tradução Ecumência (TEB)”

  1. olá, davi. compre a teb sim, já q vc já possui outras. ela possui os apócrifos sim. qto à bíblia d jerusalém, ainda ñ a li, mas é uma tradução q vc sempre vai poder usar como referência comparativa.

  2. Paz! Parabéns pelo blog, exelente.
    estou a procura da bíblia teb para comprar, mas agora fiquei com dúvida se compro ou não, devido a sua traduçao.Gostaria de sua opinião. Tenho várias versões e ouvi falar bem da teb, mas não a conheço, quero saber se ela possui os livros apócrifos.E também, sobea bíblia de Jerusalem, se é boa.

  3. Olá, parabéns pelo espaço de estudo!!!
    Eu leio a Bíblia, eu amo ler a Bíblia… No início era um “peso” porque eu não conseguia entender a mensagem, eu achava muito complicada, depois tudo mudou! Descobri que a Bíblia é o “manual do fabricante” nela eu tenho a direção para tudo em minha vida.
    Era só isto que eu queria falar… que é um livro extremamente interessante e descortinador.
    Abraços e boa leitura!

  4. oi,acessei seu blog e gostei muito,peço-lhe por favor que mim envi a introdução a Biblia Teb,pois estou precisando para uma pesquisa cientifica.Ficarei grata.Esse é meu e-mail:keilaalvesipu@hotmail.com

  5. “Aqui não é uma democracia…” Hahahah!..

    Qualquer um, que queira aprender qualquer coisa, precisa aprender que uma boa sala de aula (neste caso, uma sala de estudos) não pode ser democrática. O bom professor é, antes de tudo, um ditador. Só será possível ser democrático quando toda a classe for composta por mestres…

    Bom dia. Entrando no assunto, sou um teólogo católico em formação, ex-pentecostal e ex-batista. Já fiz inúmeros cursos bíblicos livres em diversas denominações cristãs e estudo a Bíblia como autodidata desde os meus 14 anos (atualmente com 43).

    Apreciei a sua introdução aos estudos. Sem dúvida a tradução TEB é das mais importantes da língua portuguesa, e o fato de ser uma tradução para o português da versão original TOB francesa não chega a diminuir o seu valor como instrumento de estudo.

    Para efeito de troca de experiências: na minha opinião, assim com na de muitos bons exegetas (inclusive a do Frei Ildo Perondi, OFM), a melhor versão da Bíblia Sagrada em língua portuguesa de que dispomos é a Bíblia de Jerusalém (revisada, de 2002). É uma tradução fiel, feita diretamente a partir dos textos originais, por biblistas renomados. É muito usada em Seminários (inclusive protestantes). As notas de rodapé, informações adicionais e introduções aos livros estão, no mínimo, no mesmo nível da TEB.

    Abraço fraterno e parabéns pelo bom trabalho!

  6. Olá! Acredito que uma versão ecumênica da Bíblia não seja, necessariamente, uma forma de massificação… Vejo mais como uma forma de aproximar o Cristianismo e o Judaismo, e promover a unidade entre os diversos grupos cristãos, e não reforçar as diferenças (pois isso, ao meu ver, seria uma espécie de afirmação de que uma religião é melhor, ou superior, às demais, isto é, promover a intolerância religiosa e estimular o radicalismo).

    Como vc mesmo ressaltou: o texto original é um só, apesar de cada religião (e cada pessoa) fazer a sua própria leitura. E se o princípio fundamental é o mesmo, vejo com bons olhos as tentativas de promover a unidade por intermédio da fé em Deus. Não enfatizar uma leitura em detrimento das demais, não pronunciar uma crença (prática/ rito/ ou ritual) como parâmetro para as demais, ao meu ver, é uma postura de extremo respeito a essas diferenças, pois cabe a cada um escolher qual crença (e com ela qual leitura bíblica) é a mais significativa, sem, contudo, deixar de lado o respeito ao próximo.

    Um forte abraço!
    Miryam Mastrella

  7. caro anônimo

    se vc prestar mais atenção, verá q oq escrevi é que a TEB (brasileira) não é traduzida direta do grego e latim. antes, ela é uma tradução da TOB (francesa), q é a tradução das línguas descritas. por isso q chamei a TEB de uma tradução da tradução da tradução, entendeu?

    e a respeito de qual tradução é + próxima dos originais, só o fato da TEB vir de uma tradução francesa já contradiz a sua afirmação. sem considerar q todas as traduções brasileiras afirmam elas serem as + exatas.

  8. Seu blog está legal, porém, existe uma informação equivocada. A tradução da lingua francesa é do grego e do aramaico. Outra relevancia é que a TEB e a Peregrino são consideradas pelos exegetas as traduções mais próximas do original na lígua portuguesa.

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