TBR Maratona Literária de Inverno 2015 (Canal Geek Freak)

Ainda em construção

Semana #1 – 06-13/07 – Fantasias, Distopias e/ou Ficção Científica

1.  Stardust, o Mistério da Estrela – Neil Gaiman – Rocco (capa azul)

2. Guardas! Guardas! – Terry Pratchett – Conrad (começo de série-arco)

Semana #2 – 13-19/07 – Thriller, Suspense e/ou Terror

3. O Iluminado – Sthepen King – Objetiva (já virou filme, começo de duologia)

4.

Semana #3 – 20-26/07 – YA Contemporâneo, Romance e/ou Drama

5. Toda Luz que Não Podemos Ver – Anthony Doerr – Intrínseca (capa azul, mais de 400 páginas)

6.

Semana #4 – 27/07-03/08 – Livros Nacionais

7.
8.

O desafios que contarão pontos para os sorteios:
• Um livro com figuras ou ilustrações
• Comece e/ou termine uma série, trilogia ou duologia
• Um livro que alguém escolheu por você
• Um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica
• Um livro com a capa azul
• Um livro do gênero que você menos leu ano passado
• Um livro que você ganhou
• Um livro com mais de 400 páginas

Aforismos para a Sabedoria de Vida, de Arthur Schopenhauer

shopenhauer-02O fato de o subjetivo ser incomparavelmente mais essencial do que o objetivo para a nossa felicidade e nosso deleite se confirma em tudo: desde a fome, que é a melhor das cozinheiras, passando pelo ancião, a olhar com indiferença a deusa do mancebo, até chegar ao ápice, na vida do gênio e do santo. Em especial, a saúde supera tanto os bens exteriores que, em verdade, um mendigo saudável é mais feliz que um rei doente. Um temperamento calmo e jovial, resultante de uma saúde perfeita e de uma organização feliz, um entendimento lúcido, vivaz, penetrante e que concebe criteriosamente, uma vontade moderada, branda e, por isso, uma boa consciência, são méritos que nenhuma posição ou riqueza podem substituir. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente para ele mais essencial do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza. Um caráter bom, moderado e brando pode sentir-se satisfeito em circunstâncias adversas; enquanto um caráter cobiçoso, invejoso e mau não se contenta nem mesmo em meio a todas as riquezas. Para aquele que tem constantemente o deleite de uma individualidade extraordinária, intelectualmente eminente, a maioria dos deleites almejados em geral são no todo supérfluos, mais do que isso, são apenas incômodos e inoportunos. (pg 22)

Pequenos Deuses, de Terry Pratchett

CAPA-Pequenos-Deuses

A tartaruga é uma criatura que vive no solo. É impossível viver mais perto do solo sem estar debaixo dele. Seu horizonte fica a meros centímetros de distância. Ela atinge toda a velocidade necessária para caçar uma alface. Para sobreviver, enquanto o restante da evolução a ultrapassava, bastou não representar ameaça a ninguém e dar muito trabalho para ser comida. (pg. 5)

O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo. (pg. 29)

É fato popular que nove décimos do cérebro não são usados e, como a maioria dos fatos populares, está errado. Nem mesmo o mais estúpido Criador se daria ao trabalho de fazer a cabeça humana carregar vários quilos de caca cinzenta inútil, se seu único propósito fosse apenas, por exemplo, servir de iguaria para certas tribos remotas em vales inexplorados. São usados, sim. E uma de suas funções é fazer o miraculoso parecer banal e transformar o incomum no habitual.

Porque, se não fosse o caso, então os seres humanos confrontados com a magnificência cotidiana de tudo, sairiam por aí com enormes sorrisos idiotas, semelhantes aos exibidos pelos habitantes de certas tribos remotas, que são ocasionalmente abordados pelas autoridades e têm o conteúdo de suas estufas inspecionado. Eles diriam “Uau!” muitas vezes. E ninguém trabalharia muito.

Deuses não gostam de pessoas que não trabalham muito. Pessoas que não estão ocupadas o tempo todo podem começar a pensar. (pg. 68)

Humanos! Viviam em um mundo onde a grama continuava verde e o sol nascia todos os dias e as flores regularmente se transformavam em frutos, e o que os impressionava? Estátuas que choravam. E vinho feito de água! Um mero efeito de mecânica quântica, que aconteceria de qualquer maneira se você estivesse preparado para esperar zilhões de anos. Como se a transformação da luz solar em vinho, através das vinhas e uvas e tempo e enzimas, não fosse mil vezes mais impressionante e acontecesse o tempo todo… (pg. 129)

Em todo o mundo, havia governantes com títulos como o Excelso, o Supremo, Alto Lorde Alguma Coisa ou Outra. Somente em um pequeno país o governante era eleito pelo povo, que poderia removê-lo sempre que quisesse – e eles o chamavam de Tirano.

Os efebianos acreditavam que todo homem deveria poder votar. A cada cinco anos alguém que era eleito para ser Tirano, contanto que pudesse provar que era honesto, inteligente, sensato e confiável. Imediatamente depois de eleito, é claro, ficava óbvio para todos que era um louco criminoso e totalmente fora de contato com o ponto de vista do filósofo comum na rua à procura de uma toalha. E, em seguida, cinco anos mais tarde elegiam outro exatamente como ele, e realmente era incrível como pessoas inteligentes continuavam cometendo os mesmos erros. (pg. 131)

Morrer todo dia, de JLM

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Andam morrendo cada vez mais as mesmas pessoas.
De amor e de tesão, morrem
De rir e de raiva, morrem
De medo e de paixão, morrem.
E há os que de trabalhar, se matam
De estudar, se matam
De prazer, se matam
Aqueles que para levar uma vida melhor, se matam
Levando a reles vida que dá.
Os que de cansaço, estão mortos
De ciúmes e de saudade, estão mortos
De sono e de tédio, estão mortos
De fome e de sede, estão mortos.
Porém, raro ficou morrer por um ideal e pelo outro
Facilitando a derradeira morte ao chegar
Levar apenas um peso morto.

Folhas de Relva. Walt Whitman. 1855.

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Me contradigo:
Tudo bem, então . . . . me contradigo ;
Sou vasto . . . . contenho multidões.
(pg. 129)

Sou divino por dentro e por fora, torno sagrado tudo que toco ou que me toca ;
O odor dessas axilas é um perfume mais caro que uma oração,
Essa cabeça mais cara que igrejas, bíblias, ou todas as crenças.
Se venerar um coisa mais que outras, será alguma extensão do meu corpo ;
Translúcido molde de mim será você,
Protuberâncias e planuras, firme arado masculino, será você,
O que quer que me sulque até a raiz será você,
Saliências sombreadas e descansos,
Você meu rico sangue, colostro de minha vida em jatos brancos ;
Peito que aperta outros peitos, será você,
As circunvoluções ocultas de meu cérebro serão você,
Raiz de cálamo úmido, narceja tímida, ninho onde dois ovos se guardam com carinho, será você,
Feno emaranhado de cabeça e barba e músculo, será você,
Seiva gotejante do ácer, fibra de trigo macho, será você ;
Sol tão generoso será você,
Vapor iluminando e ensombrecendo meu rosto, será você,
Arroios e rocios suados, será você,
Ventos cujos genitais fazem cócegas quando roçam em mim, será você,
Campos amplos e musculosos, galhos de carvalho vivo, adorável vadio em meus caminhos sinuosos, será você,
Mãos que segurei, face que beijei, mortal que um dia toquei, será você.

Estou maluco por mim . . . . há tanto de mim e tudo é tão delicioso.
Cada momento e o que acontece me enche de prazer.
(pg. 78/79)

Estranhas Irmãs, de Terry Pratchett

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Destino era um negócio estranho. Não dava para se fiar nele. Com frequência, não dava nem para vê-lo. Quando a pessoa achava que tinha cercado o destino, ele acabava se revelando outra coisa: coincidência, talvez, ou providência. A gente fechava a porta, e o troço surgia logo atrás. Ou então, quando achávamos que tínhamos conseguido cercá-lo, ele ia embora com a chave. (pg. 205)

O que não fala não mente. (pg. 207)

O Asno de Ouro, de Lúcio Apuleio

asnoNão foi sem motivo que os antigos representaram a Fortuna, não somente cega, mas também sem olhos. É para os malvados e para os indignos que ela reserva os seus favores. Em vez de fundamentar com justas razões a escolha que faz entre os mortais, prefere a companhia de pessoas das quais deveria fugir, se enxergasse. E o pior de tudo, afinal, é que ela distribui a consideração de modo tão atrabiliário, que o mau se glorifica com a reputação de homem de bem, e o mais inocente, pelo contrário, sofre como culpado. (pg. 107)

Vós vos espantais ainda, vis criaturas, brutas bestas forenses, ou, para dizer melhor, abutres togados, de todos os juízes de hoje venderem suas sentenças a peso de dinheiro, quando, desde a origem do mundo, a solução de uma causa entre deuses e mortais foi falseada pelo empenho? Quando a mais antiga das sentenças [decisão sobre qual deusa era mais bela, Hera, Atena ou Afrodite], um camponês [Páris], um pastor escolhido para ser juiz pela prudência do grande Júpiter, a vendeu em proveito de um capricho amoroso [Afrodite prometeu dar-lhe uma mulher, Helena, cuja beleza se igualaria à da deusa] e, o que é pior, para a ruína de toda a sua raça [Guerra de Tróia]? (pg. 177)

 

O Sol é para Todos, de Harper Lee

As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais. (115)

Antes de poder viver com os outros, eu tenho que viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria. (122)

Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou… (126)

Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo. (129)

Diário de Bordo #160115

1. A vingança na Literatura como tema e o seu reflexo no Direito, no programa A Cultura da Vingança (2014), em quatro blocos, no canal da TV Unisinos no Youtube. Alguns livros citados com a temática vingança são:

  • O Conde de Monte Cristo, de Victor Hugo
  • O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë
  • Hamlet, A Tempestade e O Mercador de Veneza, de Shakespeare
  • Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré
  • A Ilíada, de Homero
  • Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade
  • Medéia, de Eurípides
  • Gota D’água, de Chico Buarque
  • A vingança de Michael Kohlhaas, de Heinrich Von Kleist




2. Por causa dos vídeos acima, em uma pesquisa rápida, soube de adaptações cinematográficas recentes para dois dos clássicos mencionados e que procurarei assistir logo:

  • O Morro dos Ventos Uivantes (2011), que traz um Headcliff negro, algo até agora não pensado pelas outras adaptações.
  • Michael Kohlhaas: Justiça e Honra (2014), baseado no conto de um dos meus autores preferidos e interpretado por um dos meus atores preferidos.

Procurando a Luz das Palavras