Morrer todo dia, de JLM

broken1

 

 

 

 

 

 

Andam morrendo cada vez mais as mesmas pessoas.
De amor e de tesão, morrem
De rir e de raiva, morrem
De medo e de paixão, morrem.
E há os que de trabalhar, se matam
De estudar, se matam
De prazer, se matam
Aqueles que para levar uma vida melhor, se matam
Levando a reles vida que dá.
Os que de cansaço, estão mortos
De ciúmes e de saudade, estão mortos
De sono e de tédio, estão mortos
De fome e de sede, estão mortos.
Porém, raro ficou morrer por um ideal e pelo outro
Facilitando a derradeira morte ao chegar
Levar apenas um peso morto.

Folhas de Relva. Walt Whitman. 1855.

primeira-edic3a7c3a3o1

Me contradigo:
Tudo bem, então . . . . me contradigo ;
Sou vasto . . . . contenho multidões.
(pg. 129)

Sou divino por dentro e por fora, torno sagrado tudo que toco ou que me toca ;
O odor dessas axilas é um perfume mais caro que uma oração,
Essa cabeça mais cara que igrejas, bíblias, ou todas as crenças.
Se venerar um coisa mais que outras, será alguma extensão do meu corpo ;
Translúcido molde de mim será você,
Protuberâncias e planuras, firme arado masculino, será você,
O que quer que me sulque até a raiz será você,
Saliências sombreadas e descansos,
Você meu rico sangue, colostro de minha vida em jatos brancos ;
Peito que aperta outros peitos, será você,
As circunvoluções ocultas de meu cérebro serão você,
Raiz de cálamo úmido, narceja tímida, ninho onde dois ovos se guardam com carinho, será você,
Feno emaranhado de cabeça e barba e músculo, será você,
Seiva gotejante do ácer, fibra de trigo macho, será você ;
Sol tão generoso será você,
Vapor iluminando e ensombrecendo meu rosto, será você,
Arroios e rocios suados, será você,
Ventos cujos genitais fazem cócegas quando roçam em mim, será você,
Campos amplos e musculosos, galhos de carvalho vivo, adorável vadio em meus caminhos sinuosos, será você,
Mãos que segurei, face que beijei, mortal que um dia toquei, será você.

Estou maluco por mim . . . . há tanto de mim e tudo é tão delicioso.
Cada momento e o que acontece me enche de prazer.
(pg. 78/79)

Estranhas Irmãs, de Terry Pratchett

ArquivoExibir

Destino era um negócio estranho. Não dava para se fiar nele. Com frequência, não dava nem para vê-lo. Quando a pessoa achava que tinha cercado o destino, ele acabava se revelando outra coisa: coincidência, talvez, ou providência. A gente fechava a porta, e o troço surgia logo atrás. Ou então, quando achávamos que tínhamos conseguido cercá-lo, ele ia embora com a chave. (pg. 205)

O que não fala não mente. (pg. 207)

O Asno de Ouro, de Lúcio Apuleio

asnoNão foi sem motivo que os antigos representaram a Fortuna, não somente cega, mas também sem olhos. É para os malvados e para os indignos que ela reserva os seus favores. Em vez de fundamentar com justas razões a escolha que faz entre os mortais, prefere a companhia de pessoas das quais deveria fugir, se enxergasse. E o pior de tudo, afinal, é que ela distribui a consideração de modo tão atrabiliário, que o mau se glorifica com a reputação de homem de bem, e o mais inocente, pelo contrário, sofre como culpado. (pg. 107)

Vós vos espantais ainda, vis criaturas, brutas bestas forenses, ou, para dizer melhor, abutres togados, de todos os juízes de hoje venderem suas sentenças a peso de dinheiro, quando, desde a origem do mundo, a solução de uma causa entre deuses e mortais foi falseada pelo empenho? Quando a mais antiga das sentenças [decisão sobre qual deusa era mais bela, Hera, Atena ou Afrodite], um camponês [Páris], um pastor escolhido para ser juiz pela prudência do grande Júpiter, a vendeu em proveito de um capricho amoroso [Afrodite prometeu dar-lhe uma mulher, Helena, cuja beleza se igualaria à da deusa] e, o que é pior, para a ruína de toda a sua raça [Guerra de Tróia]? (pg. 177)

 

O Sol é para Todos, de Harper Lee

As pessoas sensatas não se orgulham de seus dotes naturais. (115)

Antes de poder viver com os outros, eu tenho que viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria. (122)

Não se sinta ofendida quando alguém lhe disser uma expressão feia. Isso não deve atingi-la, apenas revela a pobreza de quem falou… (126)

Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo. (129)

Diário de Bordo #160115

1. A vingança na Literatura como tema e o seu reflexo no Direito, no programa A Cultura da Vingança (2014), em quatro blocos, no canal da TV Unisinos no Youtube. Alguns livros citados com a temática vingança são:

  • O Conde de Monte Cristo, de Victor Hugo
  • O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë
  • Hamlet, A Tempestade e O Mercador de Veneza, de Shakespeare
  • Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré
  • A Ilíada, de Homero
  • Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade
  • Medéia, de Eurípides
  • Gota D’água, de Chico Buarque
  • A vingança de Michael Kohlhaas, de Heinrich Von Kleist




2. Por causa dos vídeos acima, em uma pesquisa rápida, soube de adaptações cinematográficas recentes para dois dos clássicos mencionados e que procurarei assistir logo:

  • O Morro dos Ventos Uivantes (2011), que traz um Headcliff negro, algo até agora não pensado pelas outras adaptações.
  • Michael Kohlhaas: Justiça e Honra (2014), baseado no conto de um dos meus autores preferidos e interpretado por um dos meus atores preferidos.

Diário de Bordo #130115

1. A leitura do texto “Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje” me lembrou o (conceito próprio de) niilismo atacado por Nietzsche. E me lembrou que tenho de fazer meu teste para o certificado de Ética na USP.

2. Na minha educação inicial de Day Trader em Home Broker, encontrei algumas orientações interessantes, principalmente para escolher a corretora ideal. Mesmo as matérias sendo um pouco antigas, vale a pena pelo conteúdo:

3. Mas legal mesmo são os simuladores da bolsa, sendo os mais famosos
  • UOL Invest (que dá até prêmios para quem se sair bem)
  • FolhaInvest (que está com o site em manutenção :( )

Procurando a Luz das Palavras