Escritores Sem Fronteiras

O escritor é o ser livre mais humano que existe. Para ele pouco importa a localização física, familiar ou financeira. Ele mesmo constrói a sua geografia, os seus amigos, amores e riqueza. Escritor é escritor não importa se está preso ou se vive na dinastia Ming. Mas é incompreendido pelos que não sofrem dos mesmos males que ele. Muitos, ou todos ao seu redor, não entenderão quando o virem exausto e cambaleante depois de uma árdua batalha com as muitas faces de si que resolveu criar misturando as coisas mais inesperadas como um sótão e um raio catalizador. Tampouco compreenderão a sua negativa em se aposentar de vez no próximo livro. Pois, apesar do seu corpo parecer definhar o seu espírito incendeia.

O escritor é cara mais narcisista e generoso que existe. Nega precisar de leitores, mas é fonte de alegrias e tristezas em multidões quando chega ao ponto final. Não se importa que não o leiam, pois ele mesmo é o seu primeiro e maior leitor, assim com o mais violento crítico. Ele escreve para suprir a sua dose de heroína diária, de chicotadas, de orações. E ainda é doador de alma tipo O positivo. Exijam toda a sua vitalidade e ele a dará. Sacrificará a vida pelas letras. Deixará como herança ecoando pelas eras o som das penas arranhando o papiro, do grafite sujando o Moleskine, dos toques na máquina de escrever pela madrugada afora ou das batidas frenéticas nas teclas do computador que não devolve o último manuscrito, pois o quer ler sozinho.

O escritor é uma criança que brinca de Deus. Depois cansa e passa para mocinho e bandido, cobra-cega e adedonha. Para ele, o que importa é imaginar. Criar mundos cheios de monstros, fazer o mocinho subir na torre enquanto a donzela foge com o ogro, vencer guerras onde um sozinho encara e vence zilhões e gente que vive se apaixonando pela pessoa errada. O escritor rejuvenesce e se eterniza a cada linha escrita. A vida pulula dentro dele. Os seus olhos são portais que, quando olhados bem de perto revelam outra dimensão: a que só ele vê mas quer convencer aos outros que existe de verdade. Qual dimensão é a real ele não sabe, mas passeia por ambas. Por isso, se um escritor sumir por algumas horas, pode saber que ele não está neste Universo.

O escritor é o filósofo das diferenças. Quando fala algo não emite uma opinião própria. Mostra tudo o que já foi dito e o que ainda não disseram. Mas se escreve “eu quero voar” é ambíguo, deixa o leitor decidir se o “eu” é o escritor, o narrador, a personagem, o contexto ou se é uma fala do próprio leitor prevista pelo escritor.

O escritor, antes de tudo, vive mais, mesmo que morra jovem. Não vive um pouquinho de cada vez, vive tudo e um pouco mais sempre que ilumina palavras no horizonte escuro. Deixa um rastro para os bebês que ainda engatinham, mas que já se maravilham pensando o que será o tal do be-a-bá. Por isso, pouco importa a vida física do escritor. O que importa é o seu legado. Quantos Kafkas desconhecidos não terão enterrado tesouros com eles na morte por não terem um amigo infiel a quem confiar? Quantas epopéias escritas em papiro, couro, madeira, pedra, papel e que tal qual poemas escritos na areia não foram levados pelas ondas do tempo? Quantos não tiveram sótãos para se esconder enquanto eram perseguidos e dizimados? Quantos não terão computador nem internet para ler uma simples e boba homenagem ao Dia do Escritor?

 

Homenagem escrita em 25.07.2008 à todos os blogueiros escritores – amadores como eu ou não – que costumo acompanhar e que suportam as minhas besteiras vez por outra. São: Lendo.org, Mundo de K, A Fênix Apoplética, Sem Meias Palavras, Contos no Papel, Arredor de Mim, Máquina de Letras e Liberal Libertário Libertino. Me perdoem os que esqueci, mas este ano a quota foi esta. 1 abraço. JLM.

 

Pós Dia do Amigo

Ontem foi o Dia do Amigo. Isso mudou muito a minha vida. Bah, é mentira. Eu poderia ter escrito esse texto ontem – até economizaria um pós no título – mas sou sempre do contra quando todos resolvem ir em uma direção sem pensar porque vão para lá. Talvez, se ninguém estivesse falando do Dia do Amigo e se não fosse mais um modismo empurrado pela mídia eu teria escrito esse texto ontem. Talvez eu escrevesse sobre o Dia do Amigo no Dia do Amigo. Mas não.

Amigo do peito. Amigo de fé. Amigo imaginário. Mui amigo. Amigo da onça. Amigos para sempre. Amizade colorida. Tudo isso é sobre o que não vou falar aqui. Nem vou falar do argentino que teve a ideia de criar o dia do amigo no mesmo dia em que o homem pisou na lua porque, segundo ele, abriu-se a oportunidade de se fazer amigos em outras partes do Universo. Rá. Argentino idiota. Ele só esqueceu de mencionar quem eram os amigos dele e perdeu a chance de eternizá-los. Tirando os lunáticos e os fãs nostálgicos do filme ET, particularmente não conheço ninguém desde 1969 que tenha feito sequer um amigo alienígena. Pelo contrário, muitos perderam amigos depois que algumas naves, literalmente, foram para o espaço. E não consigo me imaginar sendo amigo de um ser interplanetário, chamando um marciano pra um churrasco aqui em casa. Preconceito? Não, questão de gosto estético mesmo. Mas se aparecesse alguma alien igualzinha a Jessica Alba na minha frente eu iria ser bem mais que amigo, no mínimo uma amizade bem profunda.

Meus amigos não são estes “estereotipinhos” que aparecerem no Dia do Amigo. Não são aliens ou manequins de vitrine. Eles não precisam de um dia específico para que eu me lembre deles. Aliás, desculpinha sem-vergonha essa de criar um dia só, para se lembrar de alguém, não? Feliz Aniversário, fulano, muitos anos de vida. Isso depois de um ano sem trocar duas palavras com o fulano e levando um presentinho ordinário que ele depois não vai saber onde enfiar, já que quem deu o presente foi embora logo após comer três pedaços de bolo e deixar toda a louça pra lavar. Feliz Dia dos Namorados, meu amor. E o presente vem sempre acompanhado de algo a mais por trás. Estou falando de intenções, seu malicioso. Pode prestar atenção: ou se dá o presente no Dia dos Namorados esperando ganhar outro, do mesmo valor, é claro, ou se dá o presente querendo apimentar um pouco mais a relação naquele dia. Avançar pelo menos uma base, como dizem os norte-americanos. Não que eu considere totalmente ruim, mas esperar um ano inteiro pra isso é falta de espontaneidade e atitude. Depois não sabem porque o Ricardão chegou antes e fez tudo o que você esperou tanto para sugerir. E sem dar presente algum. Feliz Natal! Época de nos reunirmos com a família e refletirmos sobre o nascimento do salvador da humanidade e a paz entre os homens. Paz para quem, cara-pálida? O que geralmente acontece é um campeonato para ver quem come mais, bebe mais, fofoca mais, mente mais e atura mais aquele tio bêbado torrando a paciência pedindo dinheiro emprestado para a sua última ideia de negócio milionário. Demais, não? Feliz Páscoa! Feliz Ano Novo! Feliz Hanuká! Feliz dia de Finados! Bah.

Meus amigos não estão vinculados a datas. Aparecem algumas vezes nas horas certas, mas sempre nas erradas. Amigo que não empata pelo menos uma foda não é amigo. São os que riem comigo, de mim e quando rio deles. Amigo bebe a marca de cerveja barata que você comprou, mesmo sabendo que vai ter uma ressaca desgraçada no dia seguinte. É o amigo que te apresenta a amiga feia da garota bonita com quem ele tá saindo, só pra você fazer a mesma coisa na próxima vez. Afinal, amigo que é amigo te sacaneia e é sacaneado por você. Peida no elevador quando só estão vocês dois. Vomita no seu carro e dá em cima da sua prima. Mas te socorre quando você sofre um acidente, te consola quando você leva um pé na bunda ou quando o teu time cai para a segunda divisão. Não sem tirar uma onda, é claro. Mas a onda de amigo sempre acaba virando a sua onda.

Você não sente saudades de amigo. Isso porque se ele não estiver onipresente na sua vida deixou de ser amigo. Virou passado, fotografia, lembrança para ser contada aos amigos atuais. Você não tem inveja do sucesso do amigo. Mas sempre vai querer que ele faça um precinho especial pra você, seja qual for a profissão dele. É dentista? Vai ter que arrancar dois dentes pelo preço de um. É advogado? Além de ganhar a causa, obrigatoriamente, tem de cobrar metade dos honorários e descolar o telefone da estagiária. É garoto de programa? Bem, aí a gente aceita tomar um chope mesmo, afinal não dá pra misturar negócios e amizade sempre, não é?

E o mais importante, o essencial: o amigo é um espelho que mostra como você é. Você tem os amigos que merece. Se os teus amigos vivem pedindo dinheiro ou a furadeira elétrica emprestados e nunca devolvem, é porque você é o único que tem a capacidade de emprestar para eles sem cobrar depois e ainda continuar sendo amigo. Se tem amigos chatos, ignorantes, boêmios, namoradores, fãs de telenovelas ou de livros de vampiros, enfim, se tem como amigo aquele que ninguém mais aguenta, é porque o papel da vida dele foi escrito exclusivamente para trazer emoção à sua vida, para fazer você viver o que nunca viveria sem ele. Mas se você não tem nenhum amigo, não se desespere, não é porque você não merece um. É porque o seu amigo ainda não está pronto, deve estar cozinhando por aí até ficar no ponto ideal de ser seu amigo. De um jeito que só você e ele serão capazes de definir, curtir e valorizar, como bons e únicos amigos que serão.

Guardas! Guardas!, de Terry Pratchett

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Uma boa livraria não passa de um Buraco Negro civilizado que sabe ler. (pg. 13)

A razão pela qual os clichês se tornam clichês é que eles são os martelos e as chaves de fenda na caixa de ferramentas da comunicação. (pg. 147)

Você considera a vida um problema porque você pensa que existem as pessoas boas e as pessoas más. Você está errado, é claro. Existem, as pessoas más, mas algumas delas estão em lado opostos. […] Lá embaixo – continuou – há pessoas que seguirão qualquer dragão, adorarão qualquer deus, ignorarão qualquer iniquidade. Tudo por causa de uma espécie de tédio, deficiência cotidiana. Não a verdadeira repugnância criativa dos grandes pecadores, mas uma espécie de escuridão da alma produzida em massa. Um pecado, pode-se dizer, sem nenhum sinal de originalidade. Eles aceitam o mal. Não porque dizem sim, mas porque não dizem não. Desculpe-me, mas vocês precisam de nós. Nós somos os únicos que sabem fazer as coisas funcionar. Sabe, a única coisa que as pessoas boas sabem fazer bem é combater as pessoas más. e você é bom nisso, sou obrigado a admitir. Mas o problema é que isso é a única coisa que você faz bem. Um dia tocam-se os sinos e derruba-se o tirano cruel, e no dia seguinte todos estão reclamando porque, desde que o tirano foi derrubado, ninguém mais recolhe o lixo. Porque as pessoas más sabem planejar. Faz parte da definição, pode-se dizer. Todo tirano do mal possui um plano para dominar o mundo. As pessoas boas parecem não levar jeito. (pg. 323-324)

Odisséia, de Homero

Poucos são os filhos semelhantes aos pais:
a maior parte são piores; só raros são melhores. (Canto II, pg. 143)

Algumas coisas serás tu a pensar na tua mente;
outras coisas um deus lá porá: na verdade não julgo
que foi à revelia dos deuses que nasceste e foste criado. (Canto III, pg. 150)

A morte que chega a todos nem os deuses podem afastar
de um homem que lhes é amado, quando o abate
o destino deletério da morte duradoura. (Canto III, pg. 157)

É a lei que está estabelecida para os mortais, quando morrem.
Pois os músculos já não seguram a carne e os ossos,
mas vence-os a força dominadora do fogo ardente,
quando a vida abandona os brancos ossos
e a alma, como um sonho, batendo as asas se evola. (Canto XI, pg. 304)

TBR Maratona Literária de Inverno 2015 (Canal Geek Freak)

Ainda em construção

Semana #1 – 06-12/07 – Fantasias, Distopias e/ou Ficção Científica
1. Odisseia – Homero – Companhia das Letras / Penguin – 576 pgs. (mais de 500 pgs.) <<<<<<<<< TÉRMINO 13/07
odisseia

Semana #3 – 20-26/07 – YA Contemporâneo, Romance e/ou Drama
2. Zazie no Metrô – Raymond Queneau – Cosac Naify – 192 pgs. <<<<<<<<< TÉRMINO 20/07
ZAZIE_NO_METRO_1312065598B

3. Guardas! Guardas! – Terry Pratchett – Conrad – 339 pgs. (começo de série-arco) <<<<<<<<< TÉRMINO 22/07

4. Toda Luz que Não Podemos Ver – Anthony Doerr – Intrínseca (capa azul, mais de 400 páginas)

7.

Semana #4 – 27/07-03/08 – Livros Nacionais

8.
9.

O desafios que contarão pontos para os sorteios:
• Um livro com figuras ou ilustrações
• Comece e/ou termine uma série, trilogia ou duologia
• Um livro que alguém escolheu por você
• Um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica
• Um livro com a capa azul
• Um livro do gênero que você menos leu ano passado
• Um livro que você ganhou
• Um livro com mais de 400 páginas

Aforismos para a Sabedoria de Vida, de Arthur Schopenhauer

shopenhauer-02O fato de o subjetivo ser incomparavelmente mais essencial do que o objetivo para a nossa felicidade e nosso deleite se confirma em tudo: desde a fome, que é a melhor das cozinheiras, passando pelo ancião, a olhar com indiferença a deusa do mancebo, até chegar ao ápice, na vida do gênio e do santo. Em especial, a saúde supera tanto os bens exteriores que, em verdade, um mendigo saudável é mais feliz que um rei doente. Um temperamento calmo e jovial, resultante de uma saúde perfeita e de uma organização feliz, um entendimento lúcido, vivaz, penetrante e que concebe criteriosamente, uma vontade moderada, branda e, por isso, uma boa consciência, são méritos que nenhuma posição ou riqueza podem substituir. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente para ele mais essencial do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza. Um caráter bom, moderado e brando pode sentir-se satisfeito em circunstâncias adversas; enquanto um caráter cobiçoso, invejoso e mau não se contenta nem mesmo em meio a todas as riquezas. Para aquele que tem constantemente o deleite de uma individualidade extraordinária, intelectualmente eminente, a maioria dos deleites almejados em geral são no todo supérfluos, mais do que isso, são apenas incômodos e inoportunos. (pg 22)

Pequenos Deuses, de Terry Pratchett

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A tartaruga é uma criatura que vive no solo. É impossível viver mais perto do solo sem estar debaixo dele. Seu horizonte fica a meros centímetros de distância. Ela atinge toda a velocidade necessária para caçar uma alface. Para sobreviver, enquanto o restante da evolução a ultrapassava, bastou não representar ameaça a ninguém e dar muito trabalho para ser comida. (pg. 5)

O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo. (pg. 29)

É fato popular que nove décimos do cérebro não são usados e, como a maioria dos fatos populares, está errado. Nem mesmo o mais estúpido Criador se daria ao trabalho de fazer a cabeça humana carregar vários quilos de caca cinzenta inútil, se seu único propósito fosse apenas, por exemplo, servir de iguaria para certas tribos remotas em vales inexplorados. São usados, sim. E uma de suas funções é fazer o miraculoso parecer banal e transformar o incomum no habitual.

Porque, se não fosse o caso, então os seres humanos confrontados com a magnificência cotidiana de tudo, sairiam por aí com enormes sorrisos idiotas, semelhantes aos exibidos pelos habitantes de certas tribos remotas, que são ocasionalmente abordados pelas autoridades e têm o conteúdo de suas estufas inspecionado. Eles diriam “Uau!” muitas vezes. E ninguém trabalharia muito.

Deuses não gostam de pessoas que não trabalham muito. Pessoas que não estão ocupadas o tempo todo podem começar a pensar. (pg. 68)

Humanos! Viviam em um mundo onde a grama continuava verde e o sol nascia todos os dias e as flores regularmente se transformavam em frutos, e o que os impressionava? Estátuas que choravam. E vinho feito de água! Um mero efeito de mecânica quântica, que aconteceria de qualquer maneira se você estivesse preparado para esperar zilhões de anos. Como se a transformação da luz solar em vinho, através das vinhas e uvas e tempo e enzimas, não fosse mil vezes mais impressionante e acontecesse o tempo todo… (pg. 129)

Em todo o mundo, havia governantes com títulos como o Excelso, o Supremo, Alto Lorde Alguma Coisa ou Outra. Somente em um pequeno país o governante era eleito pelo povo, que poderia removê-lo sempre que quisesse – e eles o chamavam de Tirano.

Os efebianos acreditavam que todo homem deveria poder votar. A cada cinco anos alguém que era eleito para ser Tirano, contanto que pudesse provar que era honesto, inteligente, sensato e confiável. Imediatamente depois de eleito, é claro, ficava óbvio para todos que era um louco criminoso e totalmente fora de contato com o ponto de vista do filósofo comum na rua à procura de uma toalha. E, em seguida, cinco anos mais tarde elegiam outro exatamente como ele, e realmente era incrível como pessoas inteligentes continuavam cometendo os mesmos erros. (pg. 131)

Morrer todo dia, de JLM

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Andam morrendo cada vez mais as mesmas pessoas.
De amor e de tesão, morrem
De rir e de raiva, morrem
De medo e de paixão, morrem.
E há os que de trabalhar, se matam
De estudar, se matam
De prazer, se matam
Aqueles que para levar uma vida melhor, se matam
Levando a reles vida que dá.
Os que de cansaço, estão mortos
De ciúmes e de saudade, estão mortos
De sono e de tédio, estão mortos
De fome e de sede, estão mortos.
Porém, raro ficou morrer por um ideal e pelo outro
Facilitando a derradeira morte ao chegar
Levar apenas um peso morto.

Folhas de Relva. Walt Whitman. 1855.

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Me contradigo:
Tudo bem, então . . . . me contradigo ;
Sou vasto . . . . contenho multidões.
(pg. 129)

Sou divino por dentro e por fora, torno sagrado tudo que toco ou que me toca ;
O odor dessas axilas é um perfume mais caro que uma oração,
Essa cabeça mais cara que igrejas, bíblias, ou todas as crenças.
Se venerar um coisa mais que outras, será alguma extensão do meu corpo ;
Translúcido molde de mim será você,
Protuberâncias e planuras, firme arado masculino, será você,
O que quer que me sulque até a raiz será você,
Saliências sombreadas e descansos,
Você meu rico sangue, colostro de minha vida em jatos brancos ;
Peito que aperta outros peitos, será você,
As circunvoluções ocultas de meu cérebro serão você,
Raiz de cálamo úmido, narceja tímida, ninho onde dois ovos se guardam com carinho, será você,
Feno emaranhado de cabeça e barba e músculo, será você,
Seiva gotejante do ácer, fibra de trigo macho, será você ;
Sol tão generoso será você,
Vapor iluminando e ensombrecendo meu rosto, será você,
Arroios e rocios suados, será você,
Ventos cujos genitais fazem cócegas quando roçam em mim, será você,
Campos amplos e musculosos, galhos de carvalho vivo, adorável vadio em meus caminhos sinuosos, será você,
Mãos que segurei, face que beijei, mortal que um dia toquei, será você.

Estou maluco por mim . . . . há tanto de mim e tudo é tão delicioso.
Cada momento e o que acontece me enche de prazer.
(pg. 78/79)

Estranhas Irmãs, de Terry Pratchett

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Destino era um negócio estranho. Não dava para se fiar nele. Com frequência, não dava nem para vê-lo. Quando a pessoa achava que tinha cercado o destino, ele acabava se revelando outra coisa: coincidência, talvez, ou providência. A gente fechava a porta, e o troço surgia logo atrás. Ou então, quando achávamos que tínhamos conseguido cercá-lo, ele ia embora com a chave. (pg. 205)

O que não fala não mente. (pg. 207)

Procurando a Luz das Palavras